Além de falar mandarim, é importante entender questões culturais chinesas, aponta especialista em relações empresariais entre Brasil e China


Além de falar mandarim, é importante entender questões culturais chinesas, aponta especialista em relações empresariais entre Brasil e China

Especialista em relações empresariais entre Brasil e China, a professora Ângela Lindemberg atua na área da comunicação intercultural e preparação de empresas e profissionais para negociações com o mercado chinês.

Formada em Direito e Engenharia Agrônoma, também estudou na França e no Canadá. Morou na China, onde frequentou as universidades de Nankai e Hubei, por meio de programas dos Institutos Confúcio da UFC e da UNESP.

Em entrevista ao Ibrachina, fala sobre como o mandarim deixou de ser uma língua “exótica” e passou a ser um diferencial para quem deseja trabalhar com empresas chinesas. Afirma também que entender a cultura chinesa é um fator definitivo para não se perder competitividade no mundo dos negócios.

Confira na íntegra:

Como o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e China tem ampliado as oportunidades de negócios?

A relação Brasil-China não é nova, a China já é a maior parceira comercial do Brasil desde 2009. Desde o ano passado, com a instalação da fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia, e o data center no Ceará, o debate vem aumentando no mercado. Com as grandes mudanças na geopolítica atual, o empresariado brasileiro está encarando uma nova realidade de cadeia de produção. Até os empresários mais conservadores em relação ao modelo chinês de negócios, tiveram que se abrir para não perder competitividade no mundo dos negócios.

Qual o diferencial hoje para quem domina mandarim no mercado profissional?

O diferencial não está apenas em saber o mandarim, mas também em estudar os costumes chineses. Eu dou aula de mandarim para várias pessoas que trabalham em empresas chinesas e muitas vezes, dizer “Ni Hao” não é o maior desafio, mas sim saber dos festivais que permeiam a cultura chinesa e alguns hábitos peculiares dos chineses, principalmente da forma de negociação, que não é feita no escritório, mas sim tomando um chá e criando uma relação de uma certa amizade.

Que conselho a senhora daria para quem deseja aprender a língua chinesa, mas ache que os ideogramas são muito complicados?

Devo dizer que o grande desafio, definitivamente, não são os ideogramas, mas sim os tons do idioma. Sou muito fã do mandarim, pois é uma língua de uma gramática fácil e relativamente fácil de compreender, mas acredito que, se você não encarar o mandarim com o coração aberto e bem motivado, pode desistir facilmente.

Qual sua opinião sobre o aumento da procura do mandarim no Brasil, com a multiplicação de Institutos Confúcio e escolas desse idioma?

Eu incentivo a todos buscarem uma unidade do Instituto Confúcio, Hoje temos 14 institutos em funcionamento no país, mas a Universidade Federal do Piauí abrirá outro em breve, então há uma crescente na busca.

O mandarim deixou de ser uma língua considerada exótica para ser uma língua que pode trazer um diferencial crucial no currículo. As escolas privadas de mandarim que temos hoje são de pessoas apaixonadas pela China e pela língua chinesa, então também são uma excelente opção.

Por que é importante para os brasileiros que desejam fazer negócios com a China compreenderem o contexto cultural e a dinâmica das relações empresariais?

Por tudo, lembro de uma vez estar na Universidade de Hubei e observar uma professora ensinando sobre modos à mesa ocidental, como sentar, como usar garfo e faca, onde fica a pessoa mais importante da mesa, etiqueta, etc., e aquilo é algo que eu faço com os empresários que eu treino para fazer negócios, sobre toda essa dinâmica de poder invisível.

O empresário chinês não é igual ao europeu ou norte-americano, e temos que aprender a nova dinâmica para nos adaptar aos novos tempos.

Gostou da publicação ? Então compartilhe!

Receba nossos conteúdos exclusivos

Assine nossa newsletter e fique por dentro de todos nossos conteúdos exclusivos em primeira mão, não perca essa chance, assine!