Um filme chinês ambientado em uma guerra no Oriente Médio tornou-se o mais recente sucesso nos cinemas. Ao mesmo tempo, projeta a visão de mundo chinesa ao público internacional.
"Once Upon a Time in the Middle East" [Era Uma Vez no Oriente Médio], embora não cite explicitamente o nome do país retratado, se passa nos anos 2000 e mostra uma invasão de tropas americanas ao Iraque.
O protagonista é Xu Fu, um cozinheiro chinês que trabalha para pagar dívidas quando o conflito começa. Ele transforma seu modesto restaurante em abrigo para crianças órfãs e também em bar frequentado por soldados americanos. Apesar de sofrer uma série de traumas, incluindo a destruição do próprio negócio e prisões tanto por forças americanas quanto por grupos militantes locais, Xu Fu insiste em proteger os menores do horror da guerra.
Segundo o material de divulgação, é uma ficção, mas a trama se baseia em experiências reais de restauranteiros chineses que viveram a guerra no Iraque.
Dirigido por Wen Muye, responsável pelo aclamado drama social "Dying to Survive", e estrelado pelo comediante Shen Teng em atuação mais dramática, o longa foi rodado majoritariamente na China, com cenas também na Arábia Saudita. Estreou em 11 de agosto e, em menos de uma semana, já havia ultrapassado 1 bilhão de yuanes (cerca de R$ 750 milhões) em bilheteria. Atualmente, supera "A Odisseia", de Christopher Nolan, e se consolida como o filme de guerra de maior sucesso comercial da China em 2026.
Analistas e veículos internacionais destacam que a obra rompe com a narrativa heroica tradicional hollywoodiana ao adotar o ponto de vista de um cozinheiro comum, e não de um soldado, para retratar o sofrimento de civis presos no conflito.
Estudiosos acreditam que, como o primeiro filme realista chinês com tema anti-guerra, a produção quebra o roteiro tradicional de heróis ocidentais, integrando conceitos como solidariedade, valorização da paz e oposição à tirania.
Especialistas apontam que, nos últimos anos, filmes chineses estão remodelando a narrativa global de uma perspectiva mais objetiva, conquistando uma nova voz no cenário mundial.
Espectadores de países como África do Sul, Irã e Tailândia elogiaram o filme justamente por colocar as forças americanas no papel de invasoras, uma inversão rara nas produções de guerra ocidentais.
Muitos internautas chegaram a conclusões semelhantes: os filmes chineses estão começando a desafiar os roteiros tradicionais de Hollywood e redefinindo a lógica e os valores da narrativa global em um nível mais elevado.
O longa se soma a uma série de iniciativas culturais chinesas voltadas a transmitir uma mensagem ao mundo com valores de paz, generosidade e harmonia diante dos conflitos ocidentais. Ainda não há previsão de lançamento ou data de estreia de "Once Upon a Time in the Middle East" confirmada nos cinemas ou plataformas de streaming do Brasil.







