A CGTN América, canal em inglês da rede estatal chinesa, produziu uma matéria sobre o crescimento do interesse pelo aprendizado de mandarim no Brasil.
A presença chinesa não é mais uma novidade na maioria das cidades brasileiras, já é uma realidade com muitas camadas. Aplicativos de transporte, como a 99, e de entrega de comida, como Keeta e 99 Food, até o crescente protagonismo de veículos elétricos de marcas chinesas BYD e GWM no mercado automotivo nacional, a presença de produtos chineses está cada vez mais evidente no cotidiano brasileiro.
Essa influência crescente nas esferas comerciais e tecnológicas gerou um aumento grande no interesse pelo ensino do mandarim.
Para compreender essa transformação, os números do Instituto Confúcio da Universidade Estadual Paulista (Unesp) servem como um termômetro perfeito. O diretor do instituto, o professor e reitor Luis Antonio Paulino, está envolvido com o ensino do mandarim há uma última década e meia. "Quando iniciamos a nossa primeira turma em 2009, a gente tinha 30 alunos. Hoje, nós temos mais de 3.000", relembra Paulino.
Ele recorda que, no ano de inauguração, a Unesp abrigava o único Instituto Confúcio de todo o país. A realidade atual é bem diferente: a instituição agora possui unidades espalhadas por todo o território nacional, marcando presença nos principais estados e nas mais renomadas universidades brasileiras.
De acordo com o reitor, a procura pelo aprendizado é “pela maior importância que a China vem adquirindo no mundo hoje e, no caso específico do Brasil, à importância que a China tem para o país, seja como nosso principal parceiro comercial, seja como um grande investidor".
Para o diretor, no entanto, o sucesso dessas parcerias depende, antes de tudo, das relações humanas. "Todas as relações comerciais, diplomáticas, culturais e pessoais sempre se dão com base em pessoas. Na medida em que essas pessoas conhecem mutuamente a sua língua e a sua cultura, é evidente que essas negociações fluem de maneira mais tranquila e os resultados são sempre mais positivos", avalia.
A professora Xiaomeng Xue já ensinou milhares de brasileiros os caracteres do idioma mais falado do mundo. Segundo ela, existem dois grandes grupos de alunos de mandarim. "Tem muitas empresas chinesas no Brasil. Então há mais empregos. "Esse é o primeiro tipo de aluno e o mais comum", analisa. A busca por competitividade em um mercado de trabalho que exige cada vez mais qualificação internacional atrai estudantes que desejam se destacar.
Apesar do forte apelo pragmático e econômico, Xue diz que a segunda grande motivação dos alunos é o interesse cultural. "Tem um segundo tipo que acho que é sobre cultura. A China tem uma história de muito tempo e as pessoas gostam de saber mais. "Há muitos livros, diferentes formas de caracteres, como as caligrafias, e as pinturas chinesas", enfatiza.
Essa imersão cultural descrita pela professora extrapola a gramática. Historicamente, os brasileiros costumam entrar em contato com a cultura chinesa por meio da culinária, das artes marciais, da acupuntura ou do cinema.
Alunos de artes marciais também buscam mergulhar no idioma, pois passam a ter uma nova visão de mundo.
Ainda de acordo com Luis Antonio Paulino, o mandarim deixou de ser visto no Brasil como uma curiosidade. Aprender o idioma consolidou-se como uma das ferramentas mais vitais para quem deseja se conectar profundamente com o futuro da economia mundial e com a rica herança cultural do maior parceiro do país.







