Curadora da Noite de Cinema Chinês destaca como projeto contribui para a integração cultural Brasil-China


Curadora da Noite de Cinema Chinês destaca como projeto contribui para a integração cultural Brasil-China

Formada em Letras Português e Chinês pela USP e pós-graduanda em Política e Relações Internacionais pela FAAP, Valentina Curi Hage é coordenadora de projetos sino-lusófonos na área cultural e comercial.

Curadora do projeto Noite de Cinema Chinês by Chinese Bridge Club in São Paulo, ela seleciona as obras que serão exibidas nas sessões mensais gratuitas no Ibrawork. Também conversa com o público presente depois das sessões, explicando questões culturais e históricas e respondendo perguntas.

Desde o início do projeto, o público tem comparecido em bom número, mostrando um interesse crescente pelas produções chinesas. 

“O principal objetivo da Noite de Cinema Chinês é aproximar o público brasileiro da China por meio do audiovisual. O cinema nos permite entrar em contato não apenas com narrativas, mas também com valores, costumes, formas de expressão, referências históricas e sociais de outras culturas”, explica a curadora.

Os filmes são sempre exibidos com som original e legendas em português. O espaço já se consolidou como um momento para estudantes de mandarim e entusiastas da cultura chinesa se encontrarem para conhecer mais sobre o cinema produzido na China.

“O cinema pode superar distâncias linguísticas e geográficas e mostrar que, apesar das diferenças culturais, brasileiros e chineses também compartilham muitas semelhanças”, afirma Valentina. 

Confira a entrevista na íntegra:

CBC: Qual é o objetivo do projeto Noite de Cinema Chinês by Chinese Bridge Club in São Paulo?

Valentina: O principal objetivo da Noite de Cinema Chinês é aproximar o público brasileiro da China por meio do audiovisual. O cinema nos permite entrar em contato não apenas com narrativas, mas também com valores, costumes, formas de expressão, referências históricas e sociais de outras culturas. Além da exibição dos filmes, procuramos contextualizar as obras e promover conversas com o público, transformando cada sessão em um espaço de intercâmbio cultural e de construção de conhecimento. O projeto integra as ações do Chinese Bridge Club e do Ibrachina destinadas a fortalecer o diálogo entre os povos brasileiro e chinês.

Quais são as grandes diferenças entre as produções chinesas e os filmes ocidentais, com os quais o público brasileiro já está acostumado?

É importante destacar que tanto o cinema chinês quanto o ocidental são muito diversos, portanto não existe uma diferença única aplicável a todas as produções. Entretanto, muitos filmes chineses apresentam referências históricas, filosóficas, mitológicas e estéticas próprias da cultura chinesa. Também é comum encontrarmos maior destaque para as relações familiares, os vínculos comunitários, a harmonia entre o indivíduo e o coletivo e as transformações sociais vividas pelo país, como vimos em A Lenda de Hei I e a Lenda de Hei II, com a modernização do espaço, destruição da natureza e as relações de disputa geográfica. 

Na última sessão, em Yao-Chinese Folktales, também experimentamos várias temáticas, como a crítica ao trabalho moderno e à burocracia, a busca por identidade e a valorização do folclore e da cultura tradicional.

Quais são os critérios para selecionar os títulos exibidos?

A seleção considera, em primeiro lugar, a qualidade artística e cinematográfica das obras. Também buscamos filmes que apresentem aspectos relevantes da cultura, da história ou da sociedade chinesa e que possam gerar reflexão e diálogo com o público brasileiro.

Outro critério importante é a diversidade de temas e gêneros. Procuramos trabalhar com diferentes temas ligados à natureza, sociedade, história, ciência e filosofia, combinados com gêneros como drama, comédia, fantasia e terror. Além disso, são avaliados o interesse potencial do público, a adequação da obra ao formato do evento, a disponibilidade de legendas ou dublagem e a possibilidade de desenvolver uma apresentação ou debate cultural relacionado ao filme.

Qual a importância de o projeto acontecer ao longo de 2026, o Ano Cultural Brasil–China?

A realização do Noite de Cinema Chinês durante o Ano Cultural Brasil–China, sem dúvidas, amplia o impacto do projeto. O calendário de cooperação de 2026 procura promover o conhecimento mútuo, valorizar a diversidade cultural dos dois países e estimular novas parcerias entre artistas, instituições e agentes culturais. Nesse contexto, o Noite de Cinema Chinês contribui de maneira concreta para esses objetivos, oferecendo ao público brasileiro um contato direto e contínuo com a produção audiovisual chinesa.

Mais do que celebrar diplomaticamente a amizade entre os países, o projeto permite que essa aproximação aconteça no cotidiano, por meio das histórias, das personagens e das emoções apresentadas nos filmes. O cinema pode superar distâncias linguísticas e geográficas e mostrar que, apesar das diferenças culturais, brasileiros e chineses também compartilham muitas semelhanças.

Com o sucesso mundial de “Ne Zha 2”, qual é a expectativa para o crescimento da popularidade dos filmes chineses nos próximos anos?

O sucesso de Ne Zha demonstra que a indústria cinematográfica chinesa possui capacidade técnica, artística e comercial para produzir obras de alcance mundial. O filme tornou-se um dos maiores fenômenos da história da animação e teve impacto direto na promoção da cultura chinesa.

A expectativa, portanto, é positiva. Esse resultado despertou a curiosidade do público internacional e abriu espaço para que outras produções chinesas ganhassem destaque. Ao mesmo tempo, percebemos que ainda existem desafios relacionados à distribuição, às legendas ou dublagem e à compreensão de referências culturais por públicos estrangeiros.

Projetos como o Noite de Cinema Chinês são importantes nesse processo porque apresentam as obras acompanhadas de contextualização cultural. Acreditamos que, quanto mais oportunidades o público brasileiro tiver para conhecer filmes chineses de qualidade, maior será a possibilidade de formação de uma audiência permanente para essas produções.

Quais são os filmes selecionados para o segundo semestre de 2026?

A programação do segundo semestre de 2026 ainda está em fase de definição. Os títulos serão anunciados gradualmente pelos canais oficiais do Chinese Bridge Club,  assim que forem concluídas as questões de curadoria, legendagem, licenciamento e organização das sessões. Para isso, recomendo seguir @chinesebridgeSP 

Contudo, começamos o Noite de Cinema Chinês com o filme Nobody (2025), um longa-metragem de animação chinesa derivado de um dos episódios da série antológica Yao-Chinese Folktales. A obra amplia o universo do curta original e acompanha pequenos monstros em uma aventura inspirada em Jornada ao Oeste.

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