A China lançou este ano um projeto nacional de apoio à leitura pública, que inclui financiamento para publicações, horários de funcionamento mais longos para bibliotecas e salas de leitura melhor equipadas.
O projeto também designou a criação da Semana Nacional da Leitura, que será na mesma semana em que se comemora o Dia Mundial do Livro, em 23 de abril.
O objetivo é transformar o país em uma “potência cultural”, aprimorar o desenvolvimento intelectual e o conhecimento científico da população.
Esse é um passo importante na política cultural da China, colocando a leitura para além da atividade social, colocando-a como um componente central do avanço do país.
A nova legislação é resultado de análises de práticas comprovadas, estabelecendo um modelo colaborativo para a promoção da leitura, com a participação de editoras, distribuidoras, bibliotecas, livrarias e organizações sociais.
Chen Mingliang, fundador do Clube de Leitura Bright World, sediado em Beijing, disse que o impacto da iniciativa vai além de gerar novos hábitos ou um estilo de vida. "Há um papel crucial no fortalecimento da coesão social. Um esforço nacional de grande importância, pois busca tornar a leitura uma prática universal e um benefício coletivo. Desde crianças em idade pré-escolar até idosos, de estudantes a profissionais, independentemente de gênero, ocupação ou idade, todos podem ser tanto participantes quanto beneficiários dessa iniciativa."
O programa de incentivo à leitura já existia desde abril de 2016, mas com iniciativas regionalizadas. Ganhou mais força ao figurar entre as prioridades políticas para o 15º Plano Quinquenal (2026–2030). Essa nova política do governo vai aprimorar os serviços culturais públicos para melhorar o acesso da população aos livros.
Atualmente, o país possui mais de 3.200 bibliotecas públicas e mais de 100.000 livrarias físicas. Somente na capital Beijing, mais de 30.000 eventos relacionados à leitura são realizados anualmente.
Avanços na cultura
Estudos mostram alguns desafios ainda precisam ser superados, incluindo a escassez de conteúdo de alta qualidade, disparidades regionais em recursos e padrões desiguais na leitura digital.
Existe agora um incentivo às editoras chinesas para aumentar a oferta de títulos, otimizar sua estrutura e melhorar a qualidade das produções.
Em um setor cada vez mais influenciado pela análise algorítmica e mudanças nas tendências de mercado, o foco é oferecer material específico aos “grupos prioritários”: menores de idade, idosos e pessoas com deficiência, além de priorizar a assistência a regiões menos desenvolvidas, incluindo áreas rurais e de fronteira.
O escritor e tradutor Li Yingdeng disse que é muito bom ver esse esforço coordenado entre governo, escolas, editoras e outras partes interessadas.
Wang Kai, popular contador de histórias conhecido como Tio Kai, ressaltou a importância da leitura para as crianças na era da inteligência artificial.
"Na era da IA, precisamos de uma visão mais ampla sobre a leitura. As crianças precisam de uma base sólida de conhecimento geral, e a melhor forma de adquiri-la é por meio da leitura", disse ele.
Crescimento do número de leitores
Em 20 de abril, foi celebrado o início da primeira Semana Nacional da Leitura na China. A programação incluiu eventos destinados a despertar a paixão pela leitura.
Na ocasião, divulgou-se a 23ª Pesquisa Nacional de Leitura. Segundo os dados disponíveis, em 2025, 82,3% dos adultos chineses estavam envolvidos em algum tipo de leitura. A média de livros físicos e/ou e-books lidos por pessoa chegou a 8,39. Entre os menores de 18 anos, 86,7% leram livros e 75,9% realizaram leitura em formato digital. Ambos os índices são superiores aos do ano anterior. Trata-se de um aumento significativo em relação aos 51,7% registrados em 2004, primeiro levanamento do gênero, segundo relatórios da Academia Chinesa de Imprensa e Publicação.
O Relatório Nacional de Leitura Digital, também divulgado na conferência, mostra que no ano passado, o total de obras literárias em formato digital na China era de 70,5 milhões, um aumento de 11,87% em relação a 2024. O total de obras digitais lançadas no exterior, incluindo traduções, obras originais estrangeiras e e-books, foi de 949.200, um crescimento de 17,42% em comparação ao ano anterior. Em 2025, o número de usuários apenas de leitura digital na China era de 689 milhões, alta de 2,95% em relação ao ano anterior.
As informações são do China Daily







