No Dia Universal do Teatro, conheça as diferentes formas de teatro tradicional da China


No Dia Universal do Teatro, conheça as diferentes formas de teatro tradicional da China

Em 21 de março celebra-se o Dia Universal do Teatro, forma de arte com uma história milenar.

Na China, o teatro tradicional possui muitas formas e variações, tendo influenciado também as manifestações artísticas do Ocidente, como o Cirque du Soleil.

A cultura dramática da China possui dezenas de variações regionais, cada uma com seus próprios rituais, técnicas, que absorve elementos das diferentes etnias do país. A grande maioria é caracterizada pelo uso de máscaras ou pinturas faciais, movimentos baseados em artes marciais, música instrumental e canções típicas. Por causa da grande influência musical, é comum que seja chamado de ópera.

O Ibrachina e o Chinese Bridge Club in São Paulo apoiaram a vinda de diferentes companhias teatrais chinesas para o Brasil, em eventos como a Temporada Cultural da China no Brasil, que passou por São Paulo, Campinas, Brasília e Salvador.

Ópera de Pequim

Quando se fala em teatro chinês, a Ópera de Pequim é geralmente uma das primeiras imagens que vem à mente. Nela, a "face pintada" (ou lian pu) é uma linguagem própria, cheia de significados. 

Diferente do uso de máscaras, os atores de Pequim têm seus rostos transformados por camadas de tinta, um processo que pode levar horas, mas que comunica a essência do personagem ao público. Cada cor remete a um aspecto. 

Um rosto vermelho remete a "lealdade e coragem", imortalizadas na figura de Guan Yu, o deus da guerra. O branco revela a natureza traiçoeira e astuta de um vilão poderoso. O preto, imponente, denota retidão e caráter firme, como o famoso Bao Qingtian, o juiz íntegro. Cores mais raras, como o dourado e o prateado, são exclusivas para divindades e espíritos, elevando o personagem a um plano celestial.

Os personagens são divididos em papéis fixos: os sheng (heróis) e dan (mulheres) usam maquiagem leve, enquanto os rostos mais elaborados são reservados para os jing (guerreiros, deuses, vilões) e os chou (palhaços), que carregam uma mancha branca no nariz, sinalizando sua natureza cômica.

 Ópera de Sichuan

Típico do sudoeste, temos a famosa troca de rosto da Ópera de Sichuan, ou bian lian. Enquanto os artistas dançam e cantam, suas faces mudam em um piscar de olhos, de verde para azul, de azul para vermelho, e assim por diante. Sempre causam surpresa na plateia.

Esta técnica secular é um dos segredos de performance da China. Os artistas usam movimentos rápidos, como levantar um leque ou balançar a cabeça, para puxar camadas sutis de máscaras de seda presas à fantasia. Em segundos, expressam a transformação interior do personagem, seja ele passando da calmaria para a fúria ou da inocência para a astúcia . Ao contrário da pintura fixa da Ópera de Pequim, a máscara aqui é um véu descartável, um truque de mágica que conta uma história.

Teatro de Sombras

A origem do teatro de sombras remonta a mais de 2000 anos, ligada à dor de um imperador. Conforme a lenda, o Imperador Wu, da dinastia Han, ficou inconsolável com a morte de sua concubina favorita. Um ministro, vendo crianças brincando com bonecos e suas sombras no chão, teve uma ideia. À noite, armou uma cortina, acendeu lanternas e projetou a silhueta da amada do imperador, feita de couro. A ilusão trouxe conforto ao soberano . Este relato, descrito no Livro de Han, é considerado o ponto de partida do que viria a ser uma das formas de arte mais sofisticadas da Ásia.

O Piyingxi (皮影戏), ou "teatro de sombras" não tem atores no palco, mas sim silhuetas de figuras de couro ou madeira projetadas numa tela iluminada, criando um universo onde a imaginação do público completa o que os olhos veem. Em 2011, a UNESCO reconheceu esta magia como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

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