Com mais de 1,3 bilhão de falantes nativos, o chinês é o idioma com maior número de falantes no planeta. Sua trajetória atravessou milênios, por diferentes dinastias, transformando-se de inscrições em ossos de animais em uma das seis línguas oficiais da Organização das Nações Unidas.
Origem milenar
A língua chinesa oficial é o mandarim, que pertence à família sino-tibetana, cujas primeiras versões eram faladas entre 4.000 e 6.000 anos atrás. Os registros escritos mais antigos remontam à dinastia Shang (séculos XVI–XI a.C.), na forma de inscrições divinatórias em ossos e cascos de tartaruga. Esses caracteres são considerados a forma mais antiga da caligrafia chinesa e já exibiam uma estrutura perceptível até hoje.
Durante as dinastias Zhou, Sui, Tang e Song, o chinês “clássico” era um importante veículo literário e administrativo por toda a China, mesmo com a multiplicação de dialetos regionais. A fragmentação linguística se aprofundou após a queda da dinastia Song. Sob as dinastias Jin e Yuan (mongol), desenvolveu-se no norte do país uma língua comum que os linguistas hoje chamam de "mandarim antigo".
Nas dinastias Ming (1368–1644) e Qing (1644–1912) o dialeto de Beijing ganhou projeção como língua da corte imperial, consolidando as bases do que viria a ser o mandarim moderno. Com a queda da dinastia Qing e a proclamação da República em 1912, formalizou-se uma língua nacional padrão, o putonghua, que incorporava alguns elementos de outros dialetos regionais.
O Chinês Simplificado
Essa tentativa de padronização, porém, não foi suficiente para vencer as barreiras regionais. No início do século XX, apenas 11% da população fora das regiões mandarinófonas compreendia o chinês padrão. Para minimizar esse problema, a República Popular da China implantou, a partir de 1949, um sistema de caracteres simplificados. Eles têm menos traços do que os tradicionais, visando facilitar o aprendizado e acelerando a alfabetização. O resultado foi expressivo: em 2020, mais de 80% da população chinesa declarava falar o mandarim moderno, língua oficial do país.
Escritas Hanzi e Pinyin
Ao contrário de idiomas baseados em alfabetos fonéticos, o chinês utiliza caracteres hanzi (漢字), em que cada símbolo representa uma palavra ou morfema. O sistema reúne cerca de 56.000 deles, embora aproximadamente 3.000 sejam suficientes para o uso cotidiano.
A escrita tradicional era disposta verticalmente, mas o chinês simplificado usa a disposição horizontal, da esquerda para a direita.
Para facilitar o aprendizado e a comunicação internacional, a República Popular criou em 1958 o sistema pinyin, que usa letras ocidentais para representar os sons do mandarim, mesclando o alfabeto latino e 58 símbolos fonéticos. O pinyin tornou-se ferramenta essencial no ensino do idioma para estrangeiros e na era digital.
Alcance Global
O termo "mandarim" chegou ao Ocidente pelos portugueses no século XVII: os comerciantes lusos que aportavam na China negociavam com funcionários imperiais de alto escalão, conhecidos como mandarins. O nome do cargo acabou batizando a língua usada por esses funcionários. A palavra derivaria do sânscrito mantri, que significa "conselheiro" ou "ministro de Estado".
Hoje, além dos 955 milhões de falantes na China continental, o mandarim é uma das línguas oficiais de Cingapura. Há grandes comunidade falantes na Tailândia (cerca de 8 milhões de pessoas), nos Estados Unidos (cerca de 3 milhões) e na Malásia (2,5 milhões). A diáspora chinesa do século XIX, motivada pela busca de novas oportunidades foi o principal elemento da popularização da língua, que hoje é ensinada em todos os continentes.







