O Dia do Circo é celebrado em 27 de março no Brasil. A data é dedicada a valorizar a arte circense no Brasil e no mundo.
A arte milenar do circo chinês, com seus mais de 3.600 anos de história, deixou há muito de ser uma manifestação cultural restrita ao Oriente para se tornar uma influência na estética circense global.
Isso pode ser visto em palcos da Broadway e nos grandes espetáculos itinerantes da Europa e das Américas, a precisão, a disciplina e a estética dos acrobatas da China redefiniram padrões e abriram caminho para uma nova forma de fazer circo.
Nas últimas décadas, artistas chineses altamente qualificados foram para o Ocidente como "enviados culturais oficiais" da China. Dados da China Performing Arts Group revelam que a as trupes de circo chinesas representam mais de 80% do total de todas as formas de artes performáticas do país em turnês internacionais.
Especialistas mostram que isso se intensificou a partir da década de 1980, em especial com o "Projeto Nanjing" (1983-84), que colocou o treinamento e acrobacias chinesas diretamente no repertório do “novo circo”. O melhor exemplo talvez seja o Cirque du Soleil, no Canadá, que ganhou fama mundial a partir dos anos 1980. Muitos números tradicionais da China são frequentemente adaptados nos shows do Cirque, como a contorção, o uso de diabolôs, pratos giratórios, acrobacias com cadeiras e o polo chinês.
Um marco nesse processo foi a criação do espetáculo "Dralion", do Cirque du Soleil, em 1999. A produção, cujo nome é uma fusão das palavras "dragão" e "leão", famosos símbolos chineses.
O show representou uma das primeiras e mais bem-sucedidas colaborações circenses da trupe. Durante 16 anos de turnê mundial, o elenco contou regularmente com 25 artistas chineses em um total de 50, integrando disciplinas orientais à coreografia e narrativa ocidentais. A partir de 1987, o Cirque du Soleil tornou-se um dos principais empregadores desses artistas no exterior, que ocorre por meio de contratações diretas, programas de treinamento dedicados e intercâmbios.
Diferente do Circo Ocidental
As diferenças entre as escolas de circo são nítidas e são um motor da inovação. A tradição chinesa é conhecida por seu rigor técnico e disciplina. O treinamento, muitas vezes iniciado na infância em escolas residenciais como a Wuqiao Acrobatic Art School, um centro global de formação de talento. Ela foca no aperfeiçoamento de habilidades específicas, como o equilíbrio de tigelas, a manipulação de pratos e as acrobacias em bicicletas, passadas de geração em geração.
No Ocidente, a associação com circo no imaginário popular remete a mágicos, palhaços e, muitas vezes, animais no palco. Porém, a partir da ascensão do "novo circo" na década de 1980, a tônica passou a ser a expressividade artística e a narrativa.
Mais do que a execução do movimento perfeito, busca-se a emoção e a construção de personagens. Jasmine Straga, diretora da World Circus Federation, descreve a arte chinesa como uma "tradição viva" e uma "poesia visual", simbolizando união de técnica e virtuosismo. Já o modelo ocidental transformou o espetáculo em um produto de entretenimento de massa, frequentemente abandonando o uso de animais e focando em uma experiência de entretenimento mais completa. Isso inclui figurinos chamativos, como os usados pelos chineses.
Principais Companhias do Circo Chinês
A China é um grande mercado consumidor e produtor de grandes espetáculos. A China Acrobats Association atua como guardiã da tradição e promotora dos intercâmbios. Grandes grupos têm investido pesado no setor, como o Chimelong Group, que opera o Chimelong International Circus, um dos maiores complexos de entretenimento do país, atraindo milhões de visitantes anualmente em Guangzhou e Zhuhai.
Outro exemplo de grande escala é o Lingling Circus, em Xiamen, cujo teatro é reconhecido pelo Guinness como o maior do mundo, com capacidade para 10 mil espectadores, apresentando um verdadeiro "Circo das Nações Unidas" com artistas de 20 países.
Ao mesmo tempo, a China também tem recebido influências ocidentais. O Festival Internacional do Circo de Wuqiao, realizado a cada dois anos, é um dos três principais do mundo, ao lado de Monte Carlo e Paris, servindo como palco para esse intercâmbio global. Nele, artistas chineses e ocidentais colaboram e pessoas de culturas diversos se encontram, desafiam-se mutuamente e oferecem um novo cenário circense mundial.







